Análise de Múltiplos Financeiros - Banco do Brasil (1T24-4T25)

Relatório de Análise Financeira: Banco do Brasil (1T24 - 4T25)

Período de Análise: 1º Trimestre de 2024 a 4º Trimestre de 2025.
Contexto: O período abrange um ano de rentabilidade recorde (2024) seguido por um "ano de ajuste" (2025), marcado pela adoção da Resolução CMN 4.966/21 e desafios no crédito Agro.

1. ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido)

Definição: Mede a capacidade do banco de gerar lucro a partir do capital investido pelos acionistas. É o principal termômetro de rentabilidade no setor bancário.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
21,7% 21,6% 21,1% 20,8% 16,7% 8,4% 8,4% 12,4%
Análise: O banco manteve uma "velocidade de cruzeiro" excepcional em 2024, consistentemente acima de 20%. Em 2025, houve um choque de rentabilidade devido às provisões do Agro e mudanças contábeis, atingindo o piso no 2T/3T25. A recuperação para 12,4% no 4T25 sinaliza o início da normalização.

2. Lucro Líquido Ajustado

Definição: O resultado final das operações recorrentes, base para distribuição de dividendos e reinvestimento.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 9,3 bi R$ 9,5 bi R$ 9,5 bi R$ 9,6 bi R$ 7,4 bi R$ 3,8 bi R$ 3,8 bi R$ 5,7 bi
Análise: 2024 foi marcado por estabilidade em patamar recorde. A queda abrupta em 2025 (redução de ~45% no acumulado do ano) reflete o "ano de ajuste", com impacto severo do custo de crédito e da nova norma contábil que alterou o reconhecimento de receitas.

3. Margem Financeira Bruta

Definição: A diferença entre as receitas com juros (empréstimos/títulos) e as despesas de captação (funding).
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 25,7 bi R$ 25,5 bi R$ 25,9 bi R$ 26,8 bi R$ 23,9 bi R$ 25,1 bi R$ 26,4 bi R$ 27,8 bi
Análise: Houve uma compressão no início de 2025 devido à mudança na contabilização de juros (Res. 4.966). No entanto, o indicador mostrou resiliência e recuperação ao longo do ano, encerrando o 4T25 acima dos níveis de 2024, impulsionado pelo volume, apesar do custo de captação elevado (Selic).

4. Custo do Crédito (PCLD / Perda Esperada)

Definição: Despesas com provisões para cobrir o risco de inadimplência. Sob a Res. 4.966, reflete a "Perda Esperada".
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 8,5 bi R$ 7,8 bi R$ 10,1 bi R$ 9,3 bi R$ 10,2 bi R$ 15,9 bi R$ 17,9 bi R$ 18,0 bi
Análise: O principal detrator do resultado em 2025. O custo dobrou entre o início de 2024 e o fim de 2025. A explosão a partir do 2T25 deve-se à crise no Agronegócio (quebras de safra/RJs) e ao novo modelo de provisionamento mais antecipado.

5. Inadimplência (+90 dias)

Definição: Percentual da carteira de crédito com atrasos superiores a 90 dias.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
2,90% 3,00% 3,33% 3,32% 3,86% 4,21% 4,93% 5,17%
Análise: Deterioração contínua e acelerada. O índice saiu de níveis saudáveis (<3%) para patamares de alerta (>5%), puxado pela contaminação da carteira Agro e casos específicos no atacado.

6. Índice de Cobertura

Definição: Relação entre o saldo de provisões e o saldo de operações inadimplentes. Indica o "colchão" de segurança.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
196,0% 191,3% 177,6% 171,3% 184,8% 179,2% 165,9% 155,4%
Análise: Tendência de queda clara. Embora ainda em nível seguro (>150%), a redução indica que a inadimplência cresceu em ritmo mais acelerado do que a constituição de novas provisões excedentes.

7. Índice de Eficiência

Definição: Custo para gerar receita (Despesas Adm. / Receitas Operacionais). Quanto menor, melhor.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
25,9% 25,5% 25,4% 25,6% 26,5% 27,0% 27,6% 27,7%
Análise: O banco atingiu eficiência histórica em 2024. A leve piora em 2025 é "técnica": a nova norma contábil reduziu a base de receitas (denominador), elevando o índice, mas as despesas permaneceram sob controle estrito.

8. Índice de Basileia (Total)

Definição: Índice de solvência que mede a saúde financeira (Capital / Ativos Ponderados pelo Risco). Mínimo regulatório: 11,5%.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
15,13% 14,19% 14,66% 13,75% 14,14% 14,14% 14,81% 15,13%
Análise: Solvência robusta durante todo o período. A recuperação no final de 2025 reflete a retenção de lucros (payout menor) e gestão eficiente de capital frente à crise.

9. Índice de Capital Principal (CET1)

Definição: Parcela de melhor qualidade do capital (Patrimônio Líquido) para absorver perdas.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
11,90% 11,60% 11,77% 10,89% 10,97% 10,97% 11,16% 12,23%
Análise: Após consumo de capital em 2024, houve recuperação expressiva no 4T25 (+107 bps), impulsionada por efeitos regulatórios (MP 1.314/25) e menor distribuição de dividendos.

10. Carteira de Crédito Ampliada (Saldo)

Definição: Saldo total de empréstimos, títulos privados e garantias.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 1,14 tri R$ 1,18 tri R$ 1,20 tri R$ 1,22 tri R$ 1,28 tri R$ 1,29 tri R$ 1,28 tri R$ 1,30 tri
Análise: Crescimento constante em 2024 (+10% a/a). Em 2025, o banco "pisou no freio" (estabilidade no 2T e 3T) como medida de prudência diante do aumento do risco Agro, voltando a crescer timidamente no fim do ano.

11. Spread Global

Definição: Diferença média entre a taxa cobrada nos empréstimos e a taxa paga nas captações.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
5,1% 5,0% 4,8% 4,9% 4,5% 4,6% 4,7% 5,0%
Análise: O spread foi comprimido no início de 2025 devido ao custo de captação mais alto, mas demonstrou recuperação no 4T25, retornando ao patamar de 5,0%, indicando reprecificação da carteira.

12. Receitas de Prestação de Serviços

Definição: Receitas geradas por tarifas, administração de fundos, seguros e consórcios.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 8,3 bi R$ 8,8 bi R$ 9,1 bi R$ 9,2 bi R$ 8,4 bi R$ 8,8 bi R$ 8,9 bi R$ 8,8 bi
Análise: Queda nominal em 2025 explicada pelo diferimento de receitas exigido pela nova regra contábil. Operacionalmente, linhas como Seguros e Consórcios mantiveram bom desempenho.

13. Despesas Administrativas

Definição: Gastos com pessoal, estrutura e tecnologia.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
(8,9) bi (9,2) bi (9,4) bi (9,5) bi (9,5) bi (9,7) bi (9,8) bi (9,9) bi
Análise: Controle rigoroso. O crescimento nominal acompanhou a inflação e acordos coletivos, demonstrando disciplina mesmo com fortes investimentos em tecnologia e digitalização.

14. P/L (Preço sobre Lucro)

Definição: Múltiplo de mercado que indica quantos anos levaria para reaver o capital através do lucro. (Base: Cotação de fechamento do trimestre).
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
4,71x 4,37x 4,39x 3,91x 4,84x 4,59x 5,83x ~6,8x
Análise: O múltiplo "encareceu" em 2025 não por alta na ação, mas pelo colapso do lucro. O banco saiu de um patamar descontado (<4x) para quase 7x, refletindo a queda na rentabilidade.

15. P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial)

Definição: Relação entre valor de mercado e patrimônio líquido. Abaixo de 1,0 indica desconto patrimonial.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
0,96x 0,89x 0,87x 0,76x 0,92x 0,72x 0,71x ~0,70x
Análise: Desvalorização severa. O banco encerrou 2025 negociando com desconto de 30% sobre seu patrimônio, sinalizando a aversão ao risco do mercado frente à crise no crédito.

16. Política de Dividendos (Payout)

Definição: Parcela do lucro distribuída aos acionistas.
  • 2024: Payout de 45% (Yield > 10%)
  • 2025: Payout reduzido para 30% (Yield projetado ~5%)
Análise: A redução do payout para 30% em 2025, somada ao lucro menor, reduziu drasticamente a atratividade do papel para investidores de renda, sendo uma medida para preservar capital.

17. ROA (Retorno sobre Ativos)

Definição: Capacidade de gerar lucro em relação ao total de ativos.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
1,7% 1,6% 1,6% 1,6% 1,2% 0,6% 0,6% 0,9%
Análise: O indicador acompanhou a queda do ROE, caindo pela metade em meados de 2025, mostrando menor eficiência na rentabilização da base de ativos expandida.

18. Patrimônio Líquido

Definição: Capital próprio do banco (Ativos - Passivos).
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 180,2 bi R$ 181,8 bi R$ 185,8 bi R$ 181,8 bi R$ 184,1 bi R$ 183,5 bi R$ 178,5 bi R$ 184,8 bi
Análise: O patrimônio manteve-se resiliente, oscilando devido à marcação a mercado de títulos e pagamentos de dividendos, mas sem erosão estrutural, o que garantiu a solvência.

19. Ativos Totais

Definição: Soma de todos os bens e direitos.
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
R$ 2,28 tri R$ 2,36 tri R$ 2,43 tri R$ 2,26 tri R$ 2,42 tri R$ 2,43 tri R$ 2,37 tri R$ 2,45 tri
Análise: Crescimento orgânico, alcançando quase R$ 2,5 trilhões no final de 2025, impulsionado principalmente pela expansão da carteira de crédito e títulos.

20. Liquidez Imediata

Definição: Recursos disponíveis para honrar compromissos de curto prazo (Caixa + Aplicações Interfinanceiras).
1T24 2T24 3T24 4T24 1T25 2T25 3T25 4T25
~R$ 542 bi ~R$ 311 bi ~R$ 380 bi ~R$ 414 bi ~R$ 387 bi ~R$ 313 bi ~R$ 372 bi ~R$ 206 bi
Análise: O banco manteve colchões robustos, com oscilações normais de tesouraria. A redução no 4T25 deve ser monitorada, mas permanece em níveis adequados de gestão de caixa.
Banco do Brasil: Navegando o Ano de Ajuste (1T24-4T25)

Banco do Brasil

Navegando o Ano de Ajuste | 1T24 - 4T25

Destaques e Desafios (9M25)

R$ 14,9 bi

Lucro Líquido

Queda de -47,2% a/a

27,6%

Índice de Eficiência

Líder entre pares

R$ 44,0 bi

Custo do Crédito

Aumento de +66,4%

0,71x

Preço / VPA

Desconto Patrimonial

Resumo: Precificação de estresse extremo com fundamentos intactos. O banco enfrenta um "choque" de resultados devido ao impacto da Resolução 4.966 e à crise no Agronegócio.

A Lacuna de Lucratividade: 2024 vs. 2025

A administração define 2025 como um período de transição contábil e limpeza de balanço.

Comparativo de Lucro Líquido (9M)

9M24 Realizado R$ 28,3 bi
100%
9M25 Realizado R$ 14,9 bi
53%

Evolução do ROE

O ROE caiu drasticamente de níveis acima de 20% em 2024 para ~8,4% no 3T25.

O Fator Agro: A Tempestade no Campo

A inadimplência da carteira Agro saltou, atuando como o principal detrator do resultado.

Dado Crítico: O NPL Agro (>90 dias) subiu de 1,25% (1T24) para 5,34% (3T25).

Cenário Macro e Causas

  • Commodities: Queda acentuada em preços de Soja e Milho.
  • Clima: Quebras de safra afetaram fluxo de caixa do produtor.
  • Recuperação Judicial (RJ): Aumento significativo de pedidos.

O Efeito Contábil: Resolução CMN 4.966

Característica Antiga Regra (Res. 2.682) Nova Regra (Res. 4.966)
Reconhecimento de Receita Regime de Competência (Accrual) mesmo em atraso inicial. Regime de Caixa para Estágio 3. Receita só entra se o cliente pagar.
Provisões Perda Incorrida (baseada no atraso efetivo). Perda Esperada (provisão antecipada ao risco futuro).

Insight: O balanço de 2025 é "deprimido" tecnicamente: receitas postergadas e despesas antecipadas.

Solidez e Eficiência Operacional

Cobertura de 165,9% (3T25): Para cada R$ 1,00 de crédito vencido, o BB mantém R$ 1,66 em reservas. O problema é de rentabilidade (P&L), não de solvência.

Basileia (Capital)

  • Nível II: 14,81%
  • Capital Principal (CET1): 11,16%
  • Mínimo Regulatório: 11,50%

Capital suficiente para absorver o choque sem necessidade de Follow-on.

O "Trimestre Implícito": O Que Esperar do 4T25

Indicador Guidance 2025 Realizado 9M25 IMPLÍCITO 4T25 (Restante)
Lucro Líquido R$ 18,0 - 21,0 bi R$ 14,9 bi R$ 3,1 a 6,1 bi
Provisões (Custo) R$ 59 - 62 bi R$ 44,0 bi R$ 15,0 a 18,0 bi

Alerta: O 'fundo do poço' do lucro deve ser o trimestre final de 2025.

Remuneração ao Acionista (Dividendos)

2024

45% Payout

2025 (Estimado)

30% Payout

Redução estratégica para preservação de capital.

Yield Estimado: 4,5% - 5,0%

Valuation e Perspectivas 2026

Valuation Assimétrico?

Com um P/VPA de 0,71x, o mercado precifica destruição de valor permanente. Se o ROE retornar à média (15-20%) pós-ajuste, o upside é significativo.

Cronograma da Retomada

  • 4T25: Kitchen Sinking (Reconhecimento máximo de perdas).
  • 1S26: A Ressaca (Inércia da inadimplência Agro).
  • 2S26 em diante: A Retomada (Normalização do custo de crédito e alavancagem da eficiência).

Documento de Análise Institucional | Baseado em dados públicos do 1T24 ao 3T25 e Guidance 4T25

Gerado via IA a partir de PDF original: "Banco_do_Brasil_Ajuste_e_Oportunidade.pdf"

Relatório de Desempenho do Banco do Brasil (1T24 a 3T25)

Relatório de Análise de Indicadores do Banco do Brasil (1T24 a 3T25)

Nota Metodológica Crucial: Os resultados a partir do 1T25 foram elaborados sob a nova regra contábil (Resolução CMN nº 4.966/21 ou IFRS 9). Essa mudança impacta a forma de reconhecer receitas e despesas com perdas esperadas, tornando a comparação direta com trimestres anteriores (2024) não linear. O ano de 2025 é classificado pela Administração como um "ano de ajustes" [Implícito].

7. Múltiplo Preço/Lucro (P/L)

Definição e Explicação do que Significa

O múltiplo P/L (Preço / Lucro por Ação) indica quantos anos de lucro um investidor levaria para "pagar" o preço atual da ação. Ele é calculado pela divisão do preço da ação pelo Lucro por Ação (LPA), geralmente utilizando o LPA acumulado dos últimos 12 meses (TTM - Trailing Twelve Months) [Implícito].

Premissa de Cálculo (LPA TTM até 3T2025)

Para esta simulação, utilizamos o Lucro por Ação Ajustado dos Últimos 12 Meses (LPA TTM) encerrado em 30/09/2025. Este valor é calculado pela soma dos Lucros Líquidos Ajustados trimestrais (4T24: R$ 9,6 bi; 1T25: R$ 7,4 bi; 2T25: R$ 3,8 bi; 3T25: R$ 3,8 bi) e dividido pelo número médio ponderado de ações (aprox. 5,709 bilhões).

LPA TTM Ajustado (Set/2025) ≈ R$ 4,31 por ação.

Quadro Evolutivo Histórico do P/L Reportado (12 Meses)

Período de Referência Preço da Ação Utilizado (R$) P/LPA (Preço / Lucro por Ação) 12 Meses Fonte
Dez/23 27,70 4,70x
Mar/24 56,62 (antes do desdobramento) 4,71x
Dez/24 24,17 3,91x
Mar/25 28,19 4,84x
Jun/25 22,09 4,59x
P/L Implícito 3T25 (Calculado com LPA R$ 4,31)

Simulação P/L (Preço/Lucro) para Faixas de Preço

A tabela abaixo simula o múltiplo P/L utilizando o LPA TTM Ajustado de R$ 4,31 (base Set/2025), conforme os preços de ação solicitados:

Faixa de Preço da Ação (R$) P/L (Preço / R$ 4,31)
17,00 3,94x
18,00 4,18x
19,00 4,41x
20,00 4,64x
21,00 4,87x
22,00 5,10x
23,00 5,34x
24,00 5,57x
25,00 5,80x

Comentário sobre os Dados Divulgados

O P/L TTM, quando calculado com os lucros ajustados mais recentes (até 3T25), apresenta um múltiplo de 5,34x para a cotação de R$ 23,00. Esse múltiplo reflete o impacto da queda do lucro anualizado, motivada pelos "ajustes" contábeis do IFRS 9 e o aumento do custo do crédito. Comparativamente, o P/L reportado em Dez/24 era de 3,91x, indicando que, apesar de o preço ter se mantido em patamares semelhantes (R$ 24,17 em Dez/24 vs R$ 23,00), a rentabilidade base (o lucro por ação) encolheu sob a nova regra de contabilização [Implícito]. O múltiplo de 4,59x foi reportado no 2T25 com a cotação a R$ 22,09.

1. Retorno sobre o Patrimônio Líquido Anualizado (RSPL)

Definição e Explicação do que Significa

O RSPL (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Anualizado) é a razão entre o lucro líquido ajustado e a média do patrimônio líquido atribuível aos acionistas controladores. Este indicador é anualizado (multiplicação do resultado trimestral por quatro) [Implícito] e mede a eficiência do banco em gerar lucro a partir do capital próprio.

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – RSPL Anualizado (%)

Período RSPL Anualizado (%)
1T24 21,7%
2T24 21,6%
3T24 21,1%
4T24 20,8%
1T25 (1,4)%
2T25 4,0%
3T25 (0,3)%

Comentário sobre os Dados Divulgados

Em 2024, o RSPL se manteve em patamares elevados, variando entre 20,8% e 21,7%. A partir do 1T25, com a introdução da Resolução CMN nº 4.966/21 (IFRS 9), houve uma **forte retração**, com o RSPL entrando em terreno negativo no 1T25 (–1,4%) e novamente no 3T25 (–0,3%). Essa volatilidade e queda são consequência dos ajustes contábeis, especialmente o diferimento de receitas e custos pela taxa efetiva de juros e o aumento nas despesas com perdas esperadas. O RSPL acumulado do 9M25 foi de 11,2%.

2. Lucro Líquido Ajustado

Definição e Explicação do que Significa

O Lucro Líquido Ajustado é o lucro líquido gerencial excluindo itens extraordinários ou não recorrentes. Esses ajustes são feitos para proporcionar um melhor entendimento do desempenho recorrente do negócio.

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – Lucro Líquido Ajustado (R$ bilhões)

Período Lucro Líquido Ajustado (R$ bilhões)
1T24 9,300
2T24 9,502
3T24 9,515
4T24 9,580
1T25 7,374
2T25 3,784
3T25 3,785
Acumulado 9M25 14,943

Comentário sobre os Dados Divulgados

Houve uma estabilidade de lucro em 2024, em torno de R$ 9,3 bi a R$ 9,6 bi por trimestre. Em 2025, o lucro ajustado caiu drasticamente, estabilizando-se em R$ 3,8 bilhões no 2T25 e 3T25. O Lucro Líquido Ajustado acumulado nos 9M25 foi de R$ 14,9 bilhões, representando uma **queda de 47,2%** em relação ao 9M24 (R$ 28,317 bilhões). A administração revisou o guidance para o Lucro Líquido Ajustado de 2025 para um intervalo entre R$ 18,0 bilhões e R$ 21,0 bilhões.

3. Custo do Crédito (Perda Esperada)

Definição e Explicação do que Significa

O Custo do Crédito reflete a despesa do período para cobrir o risco de inadimplência. Até 4T24, era denominada PCLD Ampliada. A partir de 1T25, sob a IFRS 9 (Resolução 4.966/21), passou a ser Perda Esperada, calculada com base em três parâmetros (Probabilidade de Descumprimento, Perda Dado o Descumprimento e Exposição no Momento de Descumprimento) e considerando cenários prospectivos.

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – Custo do Crédito / PCLD Ampliada (R$ milhões)

Período Metodologia Valor (R$ milhões) Variação T/T (%)
1T24 PCLD Ampliada (8.541) (14,4)%
2T24 PCLD Ampliada (7.807) (8,6)% [Implícito]
3T24 PCLD Ampliada (10.086) 29,2%
4T24 PCLD Ampliada (9.263) (8,2)%
1T25 Perda Esperada (IFRS 9) (10.152) 9,6%
2T25 Perda Esperada (IFRS 9) (15.908) 56,7%
3T25 Perda Esperada (IFRS 9) (17.928) 12,7%
Acumulado 9M25 Perda Esperada (IFRS 9) (43.987) 66,4% A/A

Comentário sobre os Dados Divulgados

O Custo do Crédito (Perda Esperada) escalou significativamente em 2025, especialmente a partir do 2T25, com um aumento de 56,7% T/T e 12,7% no 3T25. O acumulado de 9M25 de R$ 43,987 bilhões é 66,4% maior que o 9M24. Esse aumento reflete o crescimento do risco, notavelmente impulsionado pela **dinâmica da carteira de agronegócios** [Implícito] e a necessidade de constituir provisões sob a metodologia IFRS 9.

4. Relação Provisão / Carteira de Crédito

Definição e Explicação do que Significa

Este indicador mostra o saldo total de PDD (ou Perda Esperada, B) como percentual da Carteira de Crédito (A). Ele mede a intensidade da provisão constituída em relação ao volume total de crédito concedido. Um aumento no percentual indica maior conservadorismo na provisão ou maior risco percebido na carteira [Implícito].

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – Relação Provisão/Carteira (%)

Período (Final) Saldo Carteira de Crédito (R$ bi) Saldo Provisão / Perda Esperada (R$ mi) Relação (B/A) Metodologia
1T24 1.021,7 [Implícito] 57.050 [Implícito] 5,58% PCLD
2T24 1.050,0 [Implícito] 58.786 [Implícito] 5,60% PCLD
3T24 1.064,4 [Implícito] 62.192 5,84% PCLD
4T24 1.117,0 [Implícito] 62.519 [Implícito] 5,60% PCLD
1T25 1.103,5 [Implícito] 78.735 [Implícito] 7,13% Perda Esperada (IFRS 9)
2T25 1.115,2 [Implícito] 84.088 [Implícito] 7,54% Perda Esperada (IFRS 9)
3T25 1.111,7 [Implícito] 90.853 [Implícito] 8,17% Perda Esperada (IFRS 9)

Comentário sobre os Dados Divulgados

O índice de provisão como percentual da carteira teve um aumento abrupto na transição para a IFRS 9 (de 5,60% no 4T24 para 7,13% no 1T25), refletindo a adoção de uma **visão prospectiva** de perdas. A relação continuou a subir em 2025, atingindo **8,17% no 3T25**, indicando que o Banco está constituindo provisões a um ritmo superior ao crescimento da carteira total, em resposta ao aumento do risco de crédito (Perda Esperada de R$ 90,853 bilhões) [Implícito].

5. Índice de Cobertura (+90 dias)

Definição e Explicação do que Significa

É a relação entre o saldo total de provisões/perdas esperadas e o saldo das operações de crédito vencidas há mais de 90 dias (inadimplência). Um índice alto demonstra a capacidade do banco de cobrir integralmente sua carteira inadimplente com as provisões já alocadas [Implícito].

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – Índice de Cobertura (+90 dias) (%)

Período Índice de Cobertura +90d (%)
1T24 234,9%
2T24 193,9%
3T24 210,2%
4T24 199,4%
1T25 184,8%
2T25 179,2%
3T25 165,9%

Comentário sobre os Dados Divulgados

Apesar da volatilidade, a tendência geral do Índice de Cobertura é de **queda acentuada** no período, refletindo a deterioração do risco de crédito e o aumento da inadimplência. Sob a IFRS 9 (2025), o índice caiu de 184,8% no 1T25 para **165,9% no 3T25**. No 3T25, o índice de cobertura do *New NPL* (novas perdas) no Agronegócio foi de 100,1%, indicando que a provisão do trimestre cobre o risco recém-formado nesse segmento sensível.

6. Inadimplência (+90 dias) / INAD +90d

Definição e Explicação do que Significa

O INAD +90d é a razão entre o saldo de operações de crédito em atraso acima de 90 dias e o saldo total da carteira de crédito. Este é um indicador chave da qualidade da carteira [Implícito].

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – INAD +90d (% da Carteira)

Período INAD +90d (%)
1T24 0,4% (Banco Patagonia)
2T24 0,5% (Banco Patagonia)
3T24 0,5% (Banco Patagonia)
4T24 0,5% (Banco Patagonia)
1T25 0,7% (Banco Patagonia)
2T25 N/D (Consolidado)
3T25 N/D (Consolidado)

Comentário sobre os Dados Divulgados

Os dados consolidados de INAD +90d para o Banco do Brasil (excluindo Banco Patagonia) não estão explicitamente tabulados em percentual total para todos os trimestres no formato IFRS 9 (2025). No entanto, a análise qualitativa (relacionada ao Custo do Crédito e Cobertura) sugere que o risco tem se elevado. O índice INAD +90d no Agronegócio encerrou o 3T25 em **2,40%**, e na Pessoa Física em **2,06%**.

8. Carteira de Crédito Expandida (Crescimento A/A)

Definição e Explicação do que Significa

Representa o total de empréstimos, financiamentos, Títulos e Valores Mobiliários Privados e garantias concedidas [Implícito]. O indicador de crescimento anual (A/A) mede a expansão do volume de negócios de crédito do Banco [Implícito].

Quadro Evolutivo (1T24 a 3T25) – Crescimento A/A (%)

Período (Final) Crescimento A/A (%)
Mar/24 10,2% [Implícito]
Jun/24 13,2% [Implícito]
Set/24 13,0% [Implícito]
Dez/24 15,3% [Implícito]
1T25 14,4% [Implícito]
3T25 7,5%

Comentário sobre os Dados Divulgados

O crescimento da Carteira de Crédito Expandida atingiu picos acima de 15% (Dez/24) [Implícito] antes de mostrar uma **forte desaceleração** no 3T25, com crescimento de **7,5%** A/A. O saldo no 3T25 foi de R$ 1,28 trilhão [Implícito]. A Carteira de Agronegócios, apesar de ser um foco de risco, cresceu 3,2% em 12 meses (até 3T25) [Implícito], enquanto Pessoas Jurídicas e Físicas mostraram ritmos de expansão mais rápidos (7,9% a 10,4% A/A) [Implícito].

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